Quem já é santo?

santoFoi essa a pergunta que o padre fez em sua homilia do Dia de Todos os Santos, celebrada neste primeiro domingo de novembro. Inicialmente, ele começou perguntando: “Quem gostaria de ser santo?”. Toda a igreja levantou a mão. Em seguida, perguntou “Quem já é santo?” Apenas eu mantive a mão erguida. As pessoas ao redor começaram a rir e fazer piada. Mas não foi nenhum ato de soberba de minha parte. Sei muito bem da minha condição imperfeita e pecadora e da minha necessidade de purificação no sangue do Cordeiro, como narra o Apocalipse (Ap 7, 14).

Contudo, também tenho consciência de que, pelo Batismo, mergulhei na vida de Cristo e, por isso, minha vida se tornou santificada por graça Dele. O grande problema está em nosso entendimento do significado da palavra “santo”. Fomos acostumados a imaginar que santo é aquele que não tem pecados. Uma pessoa extraordinária, pura, casta, que viveu sua vida totalmente dedicada a Deus, não tem maus pensamentos, ama a todos… enfim, uma pessoa perfeita. E, sabemos, só um é perfeito: Deus.

Enquanto caminhamos nesta Terra, estamos em busca da santidade e, bem sabemos, nunca vamos alcançá-la em sua plenitude, porque os pecados nos atrapalham. Mas nem por isso devemos deixar de buscá-la. Nosso cardeal arcebispo Dom Odilo Pedro Scherer escreveu, no jornal O São Paulo esta semana (link aqui) que Deus é como o fogo. Quem se aproxima dele, se aquece com aquele calor. Da mesma forma, quem se aproxima de Deus, é santificado, porque Deus é três vezes santo.

Assim, não devemos negar nossa condição de santos em função de nossa natureza pecadora. Todos nós temos esses dois lados. A própria Igreja se assume como “santa e pecadora” e nós, como membros que somos, pelo batismo, também o somos. Santos e pecadores. Santos porque participamos, já na Terra, das virtudes do Céu. Comungamos o Corpo de Cristo e O recebemos dentro de nós. Acreditamos que Ele purificou Maria por ter estado em Seu ventre… mas não acreditamos que Ele possa nos purificar? Pecadores porque somos criaturas imperfeitas. Caminhamos rumo ao Pai, mas ainda não estamos no auge do que seremos (cf. 1Jo 3, 2). Somos mesquinhos, orgulhosos, temos o coração duro. Mas também temos amor, bondade, doçura. É nossa dicotomia.

Em outra ocasião, um outro padre de nossa comunidade, também discursando sobre o Dia de Todos os Santos, mencionou que uma senhora disse a ele: “Ih, padre, eu não sou santa, não!” ao que ele respondeu: “Pois devia ser! É para isso que estamos aqui!” Portanto, não tenha vergonha de dizer que você é santo (a), mesmo que tenha lá suas imperfeições. Assuma sua santidade como um objetivo de vida e busque-a sempre. São João, em sua primeira carta, na segunda leitura desta liturgia diz: “Todo o que espera nele, purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.” (1Jo 3, 3)

Ao terminar sua homilia, o padre comentou: “Quando eu perguntei quem era santo, ninguém levantou a mão (ele não tinha visto minha mão erguida). Que pena que nos esquecemos de que somos participantes da divindade de Cristo pelo santo batismo!” Com essas palavras, ele confirmou aquele pensamento que tive, quando reconheci que eu era santo. Mostrou que estou no caminho certo, como todos dentro daquela missa também estavam. Só que, também como todos, ainda tenho um longo caminho a percorrer. E, com a ajuda de todos, espero um dia chegar à plenitude das bem-aventuranças para contemplar o rosto daquele que é Santo por excelência.

(Eduardo Marchiori)

 

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