Revista muda (de novo!) e traz Santa Teresa na capa

Construtores.inddOutubro é o mês do lançamento da mais nova edição da revista Construtores do Reino. Mais uma vez, a revista traz algumas mudanças estruturais, visando adaptar-se aos tempos de crise pelos quais atravessamos. Infelizmente, nossa revista é feita com recursos próprios e dependemos da ajuda de anunciantes para bancar o custo de impressão, que passa por reajustes anualmente, desequiparando-se com os valores arrecadados. Ao mesmo tempo, a igreja tem outras prioridades – hóstia, vinho, funcionários, manutenção de equipamentos para a liturgia – e pouco sobra (na verdade, não sobra) para investir na comunicação.

Por conta disso, deixamos de sair bimestralmente e, a partir deste mês, a revista sairá a cada três meses. Com isso, ao invés de seis edições anuais, teremos apenas quatro, reduzindo uma considerável parcela do custo. Ao mesmo tempo, o miolo interno também passará a ser preto e branco e não mais colorido, baixando um pouco mais o valor da impressão. Não é uma medida que gostaríamos de tomar, mas é necessária para enfrentar essa fase da economia brasileira.

Dito isso, nossa última edição deste ano de 2016 traz a história de Santa Teresa de Calcutá, oficialmente reconhecida como santa pelo Papa Francisco no mês de setembro. Apresentamos um pequeno histórico da vida de Madre Teresa, cujo propósito foi de dar assistência aos “mais pobres entre os pobres”. Uma pessoa admirável pela sua humildade, dedicação e, sobretudo, sua fé, que não deixou de ter seus momentos de escuridão.

Além disso, a revista também traz uma matéria sobre o Halloween – a festa do Dia das Bruxas – que foi incorporada ao calendário brasileiro há alguns anos e vem causando muita polêmica, inclusive entre católicos, sobre se deve ou não ser comemorada pelos cristãos. A Igreja condena o Halloween? Outra matéria de destaque é a seção Renovar, que fala sobre a Parábola dos Talentos (Mt 25, 14-30) e sua validade para os dias atuais. O que aquela palavra de Jesus diz para nós, hoje?

A revista Construtores do Reino é um órgão informativo da Comunidade Sagrado Coração de Jesus (Vila Maria – SP), de publicação trimestral e distribuição gratuita. Você pode fazer o download da edição virtual clicando aqui.

Padre Irmundo, o verdadeiro construtor do reino

1412753_674706429235538_742558071_oNosso blog não se chama “Construtores do Reino” à toa. Derivado do informativo impresso que já existe na comunidade Sagrado Coração de Jesus à quase 20 anos, esse nome deriva do exemplo do Padre Irmundo Rafael Stein, scj, que foi o verdadeiro construtor da comunidade, no sentido literal da palavra. Infelizmente, Pe. Irmundo faleceu na noite de hoje, deixando nosse mundo mais triste sem a sua presença.

Olhos voltados para o Céu, Pe. Irmundo celebrava com sentimento.

Olhos voltados para o Céu, Pe. Irmundo celebrava com sentimento.

Foi ele que, recém-ordenado sacerdote, veio para o bairro da Vila Maria no final dos anos 1970, e ajudou a edificar o prédio de uma pequena igrejinha que dava seus primeiros passos na região e tinha as missas ainda celebradas em uma garagem. Homem simples, de voz potente, estremecia as paredes quando falava. Mas era só pela força da sua voz, porque suas palavras penetravam o coração de tanta doçura e espiritualidade. Impossível não se emocionar a cada homilia, cada gesto, cada palavra que nos apontava o amor de Deus.

Pregação para os jovens, em retiro de 1997

Pregação para os jovens, em retiro de 1997

Padre Irmundo só não assentou os tijolos da comunidade porque tinha pedreiros contratados para esse trabalho. Mas é certo que o faria se fosse necessário. Trabalhou intensamente para que a construção não parasse. Quanto mais a dívida crescia, mais ele motivava o povo. Chegou ao ponto de vender o próprio carro (“vermelho igual ao coração de Jesus”, como ele mesmo fazia questão de apontar) e deslocar-se a pé de uma igreja a outra para celebrar as missas, a fim de adquirir verbas e pagar as despesas.

Escreveu livros de mensagens, com a venda revertida para as obras. Tudo era para a obra, tudo era voltado para Deus. As portas da igreja são baixas porque, segundo ele, as pessoas devem se curvar ao entrar na casa de Deus; as caixas de som foram colocadas no teto e não nas paredes, porque “temos que escutar a voz que vem do alto”. Quando o prédio ficou pronto, Pe. Irmundo nem pode usufruir do fruto do seu trabalho: uma transferência o levou para o sul do País e ele celebrou apenas uma missa, no Natal, inaugurando a igreja nova. Além da nossa comunidade, Pe Irmundo também foi o idealizador e construtor da Gruta do Seminário de Terra Boa (PR), que comemorou 20 anos de sua inauguração este ano. 

Mas ele não construiu só uma igreja física: levantou também o ser humano, a Igreja mística, que é a mais valiosa. Gostava, como Jesus, de contar histórias, todas elas elevando o ser humano ao seu lugar, como filho de Deus e templo do Espírito Santo. Suas parábolas nunca exaltava pecados, mas falava sempre do valor humano, do amor infinito de Deus pelo ser humano. Com palavras doces, fazia cada fiel sentir esse amor derramado na cruz pela experiência eucarística. Em suas missas, nunca deixou o Santíssimo trancado no Sacrário: o ostensório sempre passava pelo meio do povo, espalhando bênçãos e fazendo-nos sentir que nosso Deus é vivo e seu amor é real.

Lembrança da minha primeira confissão, com texto de Pe. Irmundo.

Lembrança da minha primeira confissão, com texto de Pe. Irmundo.

Foi pelas suas mãos sacerdotais que recebi, pela primeira vez, o perdão pelos meus pecados. Guardo, até hoje, a oração que ele me deu como penitência (um cartão cuja venda também era revertida para a construção). Dias depois, também foi de suas mãos que recebi a Primeira Comunhão, poucos dias antes dele ser transferido. Apesar do contato mais restrito, Pe. Irmundo sempre se fez presente em nossa comunidade por meio das mensagens publicadas em seus três livros, reproduzidas nas páginas do nosso informativo. Para quem o conhecia, ler seus textos era como ouvir sua voz, narrando cada mensagem.

Pe. Irmundo pregava de olhos fechados, para buscar as palavras onde Deus está: no fundo do coração.

Pe. Irmundo pregava de olhos fechados, para buscar as palavras onde Deus está: no fundo do coração.

Por tudo isso e muito mais, que não cabe num mero post emocionado, presto minha homenagem a este grande sacerdote. Numa época em que a grande mídia divulga tantos escândalos envolvendo padres, alguém precisa dizer que existem também aqueles que fazem valer sua vocação – e são em maior quantidade do que os que a distorcem. Nunca vi Padre Irmundo aparecer no Jornal Nacional e ele, certamente, nem iria querer. A obra de Deus se faz em silêncio, porque é Deus quem tem que ver.

Padre Irmundo, nossa comunidade agradece seu amor, seu exemplo, seu trabalho, sua dedicação. Desculpe pegar o título de “Construtores do Reino”, porque o que fazemos não é nada perto do que o senhor fez. Verdadeiro “Construtor”: do Reino, das pessoas, da nossa história. Estamos tristes pela sua partida, mas certos de que o Céu faz festa pela sua chegada. Obrigado por abrir as portas do Coração de Jesus para nós.

(Eduardo Marchiori)