Cláudio Pastro: artista de Deus

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De repente, fiquei sabendo que o artista Cláudio Pastro morreu no dia 19 de outubro. Talvez o nome não lhe seja conhecido, mas com toda certeza já viu alguma de suas obras por aí. Trata-se de um dos mais ilustres (senão o mais) artistas sacros, não apenas do Brasil, mas do mundo.

O jornal O São Paulo, órgão oficial da Arquidiocese de São Paulo, o chama de “Michelângelo brasileiro”. Mais: “o maior artista brasileiro depois de Aleijadinho”. Não é nenhum exagero. As obras de Pastro estão pelas igrejas de todo o mundo e serviram, não raras vezes, para ilustrar livros e materiais litúrgicos utilizados pela Igreja. A sensibilidade do artista vinha do cuidado de passar uma mensagem evangélica por meio das imagens.

Os ícones criados por Pastro falavam por si só. Tinham uma lição religiosa e, como devem ser as obras sacras, conduziam a Deus. Cláudio Pastro morreu com apenas 68 anos. Uma vida curta para uma longa trajetória de evangelização por meio da iconografia. A Igreja perdeu um grande artista. Mas o Céu está em festa por ter entre os seus, uma das maiores obras de arte do próprio Deus. Veja abaixo algumas obras do artista.

(Eduardo Marchiori)
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Carta a uma criança

imageOi,

Eu não sei o seu nome. Mas saiba que você me fez chorar hoje. É estranho chorar por alguém que a gente não conhece, sabe… Mas a sua imagem na praia me comoveu. Eu sempre gostei de praia e imagino que, na sua idade, você gostaria de correr pela areia, fugir das ondas que vão e vêm, fazer um amontoado de areia molhada e imaginar que aquilo é um castelo, com direito a princesa na janela de uma torre… É triste saber que isso te foi tirado por algum motivo que nem sei qual é, mas também não importa. Qualquer que fosse a razão, foi uma razão estúpida. Injustificável. Cruel.

Eu chorei, menino, porque tenho crianças como você na família. Fico imaginando onde estavam seus pais. Talvez estivessem desesperados atrás de você, talvez estivessem sofrendo porque viram você ser morto e jogado no mar. Também imaginei o mar, deitando seu corpinho sem vida cuidadosamente na areia, para que alguém te encontrasse e te desse um enterro digno. Digno do ser humano que você sempre foi, mas seus algozes não notaram.

Também imagino o que você poderia ter sido se tivesse se tornado adulto. Talvez um médico, capaz de curar as feridas feitas pela crueldade humana. Talvez fosse um sacerdote, capaz de ensinar as pessoas a amar o próximo. Quem sabe um cientista capaz de explorar o espaço em busca de mundos onde a guerra não existisse? Mas o egoísmo, a ganância, o ódio te fez um anjo. Aliás, você já era um anjo, apenas ganhou suas asas cedo demais.

Não entendo por que aconteceu isso com você. Só sei que não é justo. Você tinha tanto pra fazer… tanto pra brincar, pra viver, pra crescer e, quem sabe, consertar aquilo que nós, adultos, estragamos… Se hoje eu choro é porque não vejo ninguém chorando por você. As redes sociais, que pipocam de gente se indignando por coisas tão banais, se fizeram indiferentes à sua imagem. É por isso que eu estou escrevendo, pra você saber que alguém se importou, porque você merece.

Agora que você já está aí, nos braços do Papai do Céu, olhe por nós. Olhe pelos homens que te fizeram isso, pra que eles entendam que não ganharam nada com isso. Olhe por essa humanidade tão incoerente, que trata um cachorro como filho e trata seus filhos como cachorros. Olhe pelos governantes, para que entendam que a guerra só traz dor, desolação e tristeza. No silêncio da sua foto, nos ensine a silenciar também. Silenciar nosso ódio, nossa raiva, nossa maldade.

A sua imagem me lembrou de uma outra criança que também foi perseguida desde a mais tenra idade, mas conseguiu sobreviver e chegar à vida adulta. Daqui mais alguns meses, a gente vai estar reunindo nossas famílias pra comer, beber, dar presentes pras nossas crianças e pedindo por paz. Todo ano a gente pede por paz. Mas depois de alguns dias, a gente esquece o que pediu e começamos de novo nossas fofocas, nossas picuinhas, nossas maledicências… E o pior: nem lembramos da criança que é o motivo da festa. Criança que chegou, sim, à vida adulta, mas que também foi assassinada cruelmente por aqueles que eram os donos do poder. Assim como você.

Eu vejo essa criança em você, meu pequeno bebê. Você é o símbolo de toda crueldade humana. Em você, eu vejo Ele, Aquele que morreu e que disse que “onde estiver um irmão sofrendo, eu estarei presente”. Por isso, gostaria de terminar essa cartinha te batizando. Você merece um nome, porque o nome nos identifica, nos diferencia dos outros, nos dá dignidade. Eu não sei o seu nome, mas a partir de hoje, sempre que eu olhar sua foto, vou te chamar de Menino Jesus. E quero cantar uma canção de ninar pra embalar o seu sonho final: “… dorme em paz, ó Jesus… Dorme em paz, ó, Jesus…”

Fique com Deus e nos perdoe. Nós (ainda) não sabemos o que estamos fazendo…

(Eduardo Marchiori)

(Nota: esta criança foi encontrada morta numa praia da Turquia, após o naufrágio de um barco com imigrantes que fugiam da guerra civil na Síria.)

Respeito aos padres

Edição 120 destaca vocação sacerdotal

Edição 120 destaca vocação sacerdotal

A edição de julho/agosto da revista Construtores do Reino chega com uma matéria especial sobre a vocação sacerdotal, lembrando o mês vocacional, que a Igreja Católica comemora no mês de agosto. A matéria foi motivada pela constante ridicularização dos sacerdotes pelos meios de comunicação social, fazendo com que as pessoas se esqueçam que o padre é um ser consagrado e substitui Jesus Cristo – independentemente dos pecados que ele venha a cometer.

O texto busca valorizar a missão se ser padre e despertar nas pessoas o respeito e a admiração por estes homens que deixam tudo em nome do Reino de Deus. Em sintonia com a matéria de capa, a seção Renovar relata uma experiência de Santa Terezinha em Roma, relatada em seu livro “História de uma Alma”. Ao se deparar com a decepção de ver o pecado de um sacerdote, a santa teve uma importante atitude, que deve ser imitada por todos.

Uma outra vocação também é lembrada na seção Entrevista: a paternidade. Entrevistamos Jairo, o pai da jovem que morreu e foi ressuscitada por Jesus nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas (Mt 9, 18-26; Mc 5, 21-43 e Lc 8, 40-56). Ele fala sobre sua experiência com o mestre e sobre a missão de ser pai. A história de São Camilo de Léllis é narrada em Heróis da Fé. Conheça os fatos que levaram um jovem viciado em jogos a ponto de perder a própria roupa do corpo ter se dedicado sua vida a tratar dos doentes mais marginalizados.

E já que o assunto é pecado, entenda o significado e a origem da frase “Kyrie Eleison”, sempre repetida no pedido de perdão das missas. A edição também traz uma crônica sobre o cristão acomodado e o cristão ativo. A revista Construtores do Reino é distribuída gratuitamente a cada dois meses e já tem 20 anos de história. Para baixar a edição virtual, clique aqui.

(Eduardo Marchiori)

Padre José de Anchieta, o novo santo da Igreja Católica

JoseAnchieta1Num processo que levou mais de quatrocentos anos, Padre José de Anchieta finalmente foi declarado santo pela Igreja Católica. Trata-se de um dos mais longos processos de canonização da história da Igreja, que teve início em 1597, ano de sua morte. Como se não bastasse, a canonização era para ter acontecido ontem, dia 2 de abril, mas foi adiada por mais 24 horas por problemas de agenda do Papa Francisco.

Para os brasileiros, no entanto, Anchieta já é santo desde 1980, quando o papa João Paulo II declarou sua beatificação, que é o último passo antes da canonização. Como beato, o candidato já pode ser venerado nos altares de forma particular, enquanto que a canonização é universal. Em outras palavras, o Beato José de Anchieta já era digno de culto nas igrejas do Brasil e nas Ilhas Canárias, mas ainda não era aceito para os outros países do mundo. Agora, ele é oficialmente reconhecido como santo e qualquer lugar pode celebrar em sua honra.

Mera formalidade, é verdade. Processos políticos são necessários em qualquer sociedade organizada para manter a ordem das coisas, mas o fato é que as virtudes de Padre Anchieta o tornaram santo desde sempre. A canonização é apenas uma proclamação pública de algo que sempre foi parte de sua rotina. Inúmeros milagres são atribuídos a ele ainda em vida. Curiosamente, nenhum milagre foi cientificamente comprovado depois de sua morte (embora muita gente afirme ter recebido graças por sua intercessão) e a canonização vai ser feita devido à sua popularidade e número de devotos.

Padre Anchieta nasceu em Tenerife, nas Ilhas Canárias (Espanha), no ano de 1534. Desde cedo, gostava de ficar em silêncio para rezar e, muitas vezes, passeava sozinho às margens do Rio Mondego, em Coimbra (Portugal), onde realizou seus estudos. Numa dessas caminhadas, entrou na catedral e, sentindo uma grande paz no coração diante da imagem da Virgem Maria, consagrou sua vida a Ela. Tinha, então, 17 anos e decidiu entrar na Companhia de Jesus, influenciado pelas experiências de São Francisco Xavier, descritas em suas cartas, que narravam sua missão junto aos povos do Oriente.

Em 1553, foi enviado ao Brasil, onde chegou no ano seguinte, na véspera da fundação da cidade de São Paulo. Em 25 de janeiro de 1554, estava presente no Páteo do Colégio (SP), onde o padre Manoel da Nóbrega celebrou a missa de fundação da cidade. Na recém-fundada São Paulo, José de Anchieta trabalhou na catequese dos indígenas, convertendo e batizando milhares deles. Falava-lhes de maneira simples, adaptando-se às suas categorias intelectuais e aos seus costumes. Promoveu e desenvolveu as aldeias, celebrando a Eucaristia regularmente e mantendo o Senhor Sacramentado sempre presente.

Além de catequizar os indígenas, Anchieta também ocupava-se em defender os nativos dos abusos dos colonizadores portugueses que, não raras vezes, queriam escravizá-los e tomar suas mulheres e filhas. Num momento de tensão entre indígenas e portugueses, durante a Confederação dos Tamoios, o sacerdote ofereceu-se como refém enquanto as negociações de paz eram intermediadas pelo Padre Manoel da Nóbrega. Teve papel eminente na expulsão dos calvinistas franceses da Baía da Guanabara e na fundação da cidade do Rio de Janeiro.

Padre Anchieta também mergulhou em estudos sobre a fauna e a flora brasileiras, a medicina, música e literatura. Tudo isso ele orientava para o bem verdadeiro do homem destinado a ser e viver como filho de Deus. É icônica a imagem do sacerdote escrevendo na areia o poema de sua autoria, A Virgem Maria, Mãe de Deus (veja abaixo). Embora o dia 3 de abril seja a data da sua canonização, o agora São José de Anchieta é celebrado no dia 9 de junho. São José de Anchieta, Apóstolo do Brasil, rogai por nós!

O poema de Anchieta sobre a Virgem Maria, Mãe de Deus

Escrevendo na Praia

“(…)
Ó Virgem, humilde, singela e prudentíssima
por que o temor da dúvida assim te apregoa?
Justamente porque és humilde: e humilde
tudo temes de tua ingenuidade:
por demais ingênuo, o coração da jovem
deixa-se enredar às vezes, em diversos ardis
Tudo temes em tua prudência:
Tu, ponderando tudo à sua luz,
temes que alguma aragem de pecado
Te bafeje a alma,
e que, prestando-lhe atenção, como Eva à serpente,
venhas a cair em suas malhas.
Porém nenhum laço há aqui: o céu não engana:
não há na cidade de Deus lugar para a mentira.
Não há, aqui, monstro algum
que te engane em música falaz,
que te cegue os olhos d´alma,
como à primeira mulher.
Já o Senhor pôs em ti o seu olhar:
do alto da esfera celeste, sua pupila
descansa nas pequenezes desta Terra.
Quanto mais te crê indigna,
tanto mais digna te ergues para o Céu,
e tua fronte brilha, quanto mais se esconde.
A simplicidade humilde e a humildade simples
do teu pensar
enamora o Espírito de Deus.
Por que te admiras de te fazerem
Rainha no Céu,
Se estás sempre a escolher, na Terra,
o último lugar?
De admirar seria
Se tivesses o peito entumecido de soberba
e se, apesar disso, o Senhor te contemplasse.
Abre, portanto, o coração confiante
à mensagem celeste:
quanto é de ti mais digna, tanto menos deve temê-la.”
(De Beata Virgine Matre Dei Maria (Tradução portuguesa em ritmos de Armando Cardoso)
5ª Edição, Editora Paulinas, São Paulo, 1996.)
Fontes:  Um Santo para Cada Dia – Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini – 8ª. Ed. – Paulus Editora – 1983
Cada dia tem seu santo… – A. de França Andrade – Artpress Editora – 2000

Habemus Papam!

franciscoAcaba de ser anunciada a escolha do novo papa da Igreja Católica, com apenas dois dias de votação. Por volta das 15h30 (horário de Brasília), a fumaça branca apareceu na chaminé da Capela Sistina e o mundo inteiro ficou na expectativa do anúncio do novo papa.

fumaça branca

Habemus Papam!

Pela primeira vez na história da Igreja, um papa latino-americano foi eleito. Também é a primeira vez em mais de 1000 anos que o escolhido não é proveniente de um país europeu (o último foi Gregório III, da Síria). O eleito é o cardeal Jorge Mario Bergoglio da Argentina, que adotou o nome de Francisco, em homenagem a São Francisco de Assis. O novo papa realizou, na Argentina, um trabalho missionário com os pobres, por isso a escolha de São Francisco como padroeiro.

Fazei-me um instrumento de vossa paz!

Fazei-me um instrumento de vossa paz!

Jorge Mario Bergoglio, nasceu em 17 de dezembro de 1936 (77 anos), se tornou arcebispo de Buenos Aires em 1998 e foi nomeado cardeal em 2001, pelo saudoso João Paulo II. Ao dar sua primeira bênção, Papa Francisco convocou o povo a rezar uma oração do Pai Nosso e uma Ave-Maria.

Convidou todo o povo a rezar pelo seu bispo que estava no conclave e poderia ter sido eleito. Em seguida, se inclinou e pediu para que o povo rezasse também por ele. Seja abençado, Papa Francisco. Todos os católicos se alegram e rezam pelo seu pontificado! Obrigado, Senhor e que São Francisco, o Santo da Pobreza, oriente a vida do papa!

Oração de São Francisco

Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz

Onde houver ódio, que eu leve o amor

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão

Onde houver discórdia, que eu leve a união

Onde houver dúvida, que eu leve a fé

Onde houver erro, que eu leve a verdade

Onde houver desespero, que eu leve a esperança

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria

Onde houver trevas, que eu leve a luz

Ó Mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado,

Compreender, que ser compreendido

Amar/ que ser amado

Pois é dando que se recebe,

É perdoando que se é perdoado

E é morrendo que se vive para a vida eterna!

Bento XVI renuncia ao papado

papabento013Numa notícia que surpreendeu o mundo, o papa Bento 16 anunciou, na manhã desta segunda feira (11), sua renúncia ao papado. O anúncio foi publicado oficialmente no site da Rádio Vaticano com uma declaração do Santo Padre afirmando que, por uma questão de idade, ele considera a si mesmo como inapto para a função. Leia a íntegra da declaração aqui.

Ainda segundo o papa, a função de sucessor de Pedro, apesar de exigir o cumprimento não apenas com obras e palavras, mas com sofrimento e oração, exige também a disposição de corpo e espírito, algo que ele não tem mais. O papa completará 86 anos no próximo dia 16 de abril e foi eleito em 19 de abril de 2005, sucedendo o papa João Paulo II após sua morte, em 2 de abril do mesmo ano.

Bento XVI não é o primeiro papa a renunciar. Também abdicaram do ofício os papas Bento IX em 1045, Gregório XII, em 1415 e Celestino V, em 1294. Curiosamente, ele é o segundo “Bento” a abandonar o cargo. A visita de Bento XVI ao Brasil no mês de julho para a Jornada Mundial da Juventude deverá ser feita pelo novo pontífice, eleito a partir do conclave, anunciado para o próximo dia 28 de fevereiro.

Eduardo Marchiori

Canonização de João Paulo II pode acontecer este ano

740254_397334220357359_499119354_oO ano já começa com boas notícias para a Igreja Católica como um todo. De acordo com uma nota divulgada pela KAI (Agência de Informação Católica da Igreja polonesa), o Beato João Paulo II poderá virar oficialmente santo até o final deste Ano da Fé. Para quem não sabe, o saudoso papa foi beatificado em maio de 2011. A beatificação é o primeiro passo para o processo de canonização e significa que o beato já pode receber veneração local, mas ainda não entrou para a lista de santos universais.

Os bispos da Polônia informaram, por meio da agência, que Roma deve aprovar diversas curas inexplicáveis atribuídas a João Paulo II desde sua beatificação. A canonização, no entanto, é um processo lento e burocrático e o atual papa, Bento 16, deverá ainda ouvir a opinião de seus cardeais auxiliares. Se tudo correr nos conformes, a data da canonização será anunciada em breve, provavelmente na Semana Santa. Além do inegável carisma de João Paulo II, a força de sua fé diante de sua fraqueza física é que torna esta canonização mais valorosa. Mostra que santo não é aquele que faz milagres ou que tem uma vida perfeita, mas sim aquele que se mantém firme, acreditando até o fim nas suas convicções e, sobretudo, é um instrumento de paz e de caridade!

Beato João Paulo II, rogai por nós!

Colaboração: George A. Rodrigues

Fonte: The Tablet (Informativo Católico Semanal Internacional)